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6 de fevereiro de 2009

Entre][vista_Cabracega, estúdio criativo

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01. Começo por vos perguntar o que é a Cabracega. No vosso site podemos ler que é um estúdio criativo que pretende oferecer novas experiências em campos muito diferentes. Mas como funciona e como nasceu a ideia?

O estúdio Cabracega nasceu de um desejo comum de materializar ideias que pudessem interferir de uma forma positiva e original no quotidiano das pessoas. Assim, a sua actividade toma a forma de projectos multidisciplinares com um carácter experimental e inovador, que lançam questões que podem ir desde o design industrial até à economia social.
Hugo Tornelo e Pedro Alegria, com formação em Experience Design (Design Academy Eindhoven), constituem a equipa criativa da Cabracega e Rita Gonzalez, com formação na área de Marketing, apoia a implementação e comunicação dos projectos.

02. Têm já alguns trabalhos importantes. Mas um dos mais marcantes foi sem dúvida a Lisboa Sensorial. Peço-vos que expliquem em que consiste e como criaram todo o conceito.

A ideia do projecto Lisboa Sensorial surgiu depois de inúm
eras visitas a um restaurante perto da sede da ACAPO, em Lisboa, onde também paravam muitos cegos. Proporcionavam-se, assim, algumas conversas, nas quais tentávamos satisfazer a nossa curiosidade e perceber como era o dia-a-dia dos cegos, como se orientavam na rua, como faziam as suas tarefas diárias; foi assim que surgiu o projecto Lisboa Sensorial.
A criação de uma experiência sensorial foi uma das bases d
o projecto Lisboa sensorial, realizado em parceria com a Lisbon Walker e ACAPO. Queríamos mostrar às pessoas uma nova maneira de entender o espaço urbano. O projecto apresenta-se como passeios às cegas por um percurso em Alfama por nós coreografado, onde os participantes, de olhos vendados, são conduzidos por um guia sensorial, um cego que partilha e analisa as suas referências sensoriais e um guia histórico, que dá uma contextualização histórica e social do passeio.
Na altura, Alfama foi a escolha natural para a implementação do projecto, devido à sua riqueza em termos sensoriais e por ser um lugar onde as pessoas vivem muito a rua, o que contribui para a sensação de que se está numa pequena vila dentro de uma grande cidade. Durante os passeios, veio a comprovar-se o envolvimento da população “alfamista”, que interage com os participantes e proporciona sempre imprevistos qua ajudam a melhorar a experiência do passeio.
Com este projecto, para além da criação de uma experiência sensorial, alcançaram-se outros objectivos que estiveram presentes desde o
início: a oferta de um serviço diferenciado que representasse uma nova oportunidade profissional e social para os cegos (aquilo que a sociedade vê como um handicap, aqui torna-se uma mais valia) e a possibilidade de desmistificação da imagem do cego como uma pessoa dependente e fragilizada.
A sustentabilidade do projecto é algo que também se conseguiu assegurar, pois todas as partes envolvidas são remuneradas pela sua participação, o que pressupõe um modelo de economia social que cria dinâmicas dentro de uma comunidade.
Actualmente, o projecto acontece em Lisboa nos últimos sábados de cada mês através da Lisbon Walker, mas está prevista a sua implementação também em Torres Vedras e, a nível internacional, em Singapura.



03. Lisboa Sensorial está hoje implantado e contribui activamente para a dinamização de uma parte da cidade, e, neste caso, sobretudo para a comunidade cega, que vê aqui uma oportunidade de valorização concreta - são eles os guias dos visitantes. As cidades podem ser desagradáveis para as pessoas com limitações de vários níveis. Como podem então estas e outras estratégias ajudar quem projecta as cidades a resolver o problema?

Não se tratando do objectivo primeiro, sem dúvida que a sensibilização para os múltiplos obstáculos que um cego pode encont
rar em Lisboa vem à superfície com este projecto. Esta sensibilização poderá revelar-se eficaz pela intensidade que representa experienciar a ausência da visão na rua durante cerca de uma 1h:30m, oferecendo-nos assim uma perspectiva totalmente diferente do mesmo espaço.
Alguns dos participantes, contaram-nos mais
tarde, como, de uma forma involuntária e por momentos, dias depois, recordavam a experiência em locais tão distintos como supermercados, ou mesmo em casa, e perguntavam-se: “Se fosse cego, como seria estar aqui?” Enquanto criadores, a consciencialização da existência de “mundos diferentes” irá influenciar futuros projectos.
É comum, enquanto criadores, deixar-mo-nos “ofuscar” pelo projecto por nós definido e, involuntariamente, ignorarmos algumas premissas durante o processo, mas, na verdade, qualquer projecto à escala humana só estará terminado com a presença de pessoas. O projecto Lisboa Sensorial apenas visa promover a discussão e reflexão sobre o espaço na ausência da visão, mas existem inúmeras premissas que podem e devem ser tomadas em consideração.



04. Faço-vos agora uma pergunta mais teórica. De que forma entendem o Design? Quais os problemas que esta disciplina hoje enfrenta?

É uma pergunta muito vasta que, certamente, não terá apenas uma reposta, mas podemos dizer que entendemos que o Design se define por inúmeras vertentes e cruzamentos interdisciplinares, e que procuramo
s focar-nos sempre na questão central de cada projecto, sem definirmos à partida em que suporte assentará o resultado; poderá ser um objecto, um serviço, um espaço, um poster, um documentário, ou mesmo todos eles. A solução não deverá ser definida pelo suporte, mas o suporte é definido pela melhor solução.
Certamente que existem projectos com o suporte definido à partida, e, nesses casos, cumprimos com os objectivos, mas não se invalida a eventualidade de superar a expectativa com uma resposta mais completa. Aliás, podemos até verificar que o ensino de Design procura, cada vez menos, definir-se como “Design de Produto, Interiores, Moda ou Gráfico”, para passar a apresentar-se d
e uma forma mais abrangente como, por exemplo, “Man and Living” ou “Man and Leisure” (o que se verifica na Design Academy Eindhoven, por onde passou a equipa criativa da Cabracega). Neste caso concreto, a abordagem ao Design debruça-se mais sobre a relação do Homem com o “mundo”, nos seus mais diversos contextos.

05. Queria agora falar, ainda que de forma breve, do vosso projecto SEED – “Memórias de S. Tomé e Príncipe”, no qual os artesãos santomenses foram convidados a trabalhar conjuntamente com empresas de hardware electrónico, na criação de objectos com um valor artístico acrescentado. O que significou pedir a estas pessoas para ajudarem a criar objectos que muitas delas nunca tinham sequer visto?

De certa forma, foi um choque calculado. A criação deste objecto procurava introduzir o artesanato santomense num contexto internacional, juntando assim dois mundos totalmente distintos. Deste encontro de opostos – artesanato e tecnologia – surgiram vários momentos inesperados. Mas mais do que um objecto criou-se um serviço que permite aos artesãos auferirem do ordenado mínimo local apenas num dia e meio de trabalho, e esse factor em muito ajudou para a c
olaboração dos diversos artesãos.
Durante o desenvolvimento do projecto, um dos artesãos envolvidos na produção destes objectos teve aulas básicas de informática e de acesso à internet, o que resultou noutro choque calculado...

06. Um dos objectivos deste projecto era demonstrar às empresas formas novas de promover o desenvolvimento humano. Parece-me que todos sabemos o que fazer mas muitas vezes não sabemos como fazê-lo. No entanto, quando fui a S. Tomé, tive a oportunidade de ver o funcionamento efectivo do projecto no local. Os hotéis mostram aos turistas estes produtos com um orgulho encantador. Como se implementa um projecto destes e sobretudo como asseguramos a sua perpetuação?

Com manifestações de interesse, prefere
ncialmente financeiras. Com este projecto, debruçámo-nos sobre o conceito de Economia Social, o que consideramos constituir um passo importante para o seu sucesso e proliferação, em vez de nos focarmos apenas na responsabilidade social. Entendemos que a economia social, por si, já implica a responsabilidade social, e consideramos que estes conceitos são, muitas vezes, confundidos. Devemos entender que a pior ajuda é dar e, infelizmente, existem inúmeras entidades que o fazem, fragilizando e viciando assim os seus beneficiários. Recorrentemente, trata-se apenas de uma questão de comodidade para ambas as partes, uma vez que vai servindo os seus propósitos a curto prazo: por um lado, existem várias entidades que gostam de criar dependências, justificando assim a sua missão e presença contínua, por outro lado, temos as comunidades que vão beneficiando dessas “esmolas” garantidas. Antes de ajudarmos alguém, devemos perguntar se se quer ser ajudado, em que é que se quer ser ajudado e, posteriormente devemos procurar ajudar com incentivos reais e responsabilidades repartidas. Neste sentido, e da mesma forma que este projecto se revela extremamente lucrativo para os artesãos envolvidos, também as entidades envolvidas na gestão de todos estes processos auferem de lucros consideráveis, o que lhes permite financiarem outras actividades; assim se explica a envolvência contínua destas entidades de solidariedade social e a sua fácil proliferação para outros países.

07. Clare Brass, da SEED Foundation - Social Environmental Enterprise + Design defende que a sustentabilidade aplicada ao Design não deve centrar-se no objecto em si, mas em toda a complexa rede de infra-estruturas que a rodeia. O que quer ela dizer exactamente com isto?

Se tomarmos o nosso projecto SEED – pura coincidência – como exemplo, podemos justificá-lo precisamente com a resposta que demos acima; as pens usb em madeira esculpida, mais do que um objecto, são um serviço que beneficia todos os envolvidos e não parecem representar quaisquer problemas em termos ecológicos, ambientais, económicos e sociais, quer a nível local e global. Claro que podemos ir mais fundo e olhar para o material que compõe os chips, ou as condições dos trabalhadores da fábrica... mas será sempre utópico procurar mudar o mundo em apenas um dia, ou com apenas um projecto.

08. Se olharmos para o Design como uma abordagem integrada centrada nas pessoas e na resolução dos seus problemas, surge-nos uma pergunta inevitável. Como poderá esta disciplina ajudar a dar a volta à presente crise?

Com a presente crise, certamente, surgirão novas necessidades e, por isso, também novas oportunidades. Essas oportunidades passam pela necessidade de se ir reinventando tudo, algo que julgamos cara
cterizar o Design. O design já não parece tratar do desenho de uma cadeira, mas antes do ritual de sentar.
Adicionalmente, e num panorama geral, estudos de novas tendências apontam para um “consumo de experiências” e, paralelamente, para um “design de experiências”, como um mercado potencial para o futuro próximo, o que representa uma boa oportunidade para a Cabracega.

09. Que conselho(s) dariam a jovens estudantes de Design ou de Marketing que estejam a preparar a sua difícil entrada no mercado profissional?

Se tiverem conselhos também gostaríamos de ouvir...

10. Onde se imaginam daqui a 10 anos?

Sabemos que amanhã vamos estar por Lisboa, mas ainda nem sequer sabemos, quando e para onde, vamos de férias este ano...

Alguma coisa a dizer?

Dê uma espreitadela



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01. I’ll start by asking you what Cabracega is. In your website we learn that it is a creative studio that has the intent of offering new experiences in a variety of fields. How does this project work and how was it conceived?

The Cabracega studio is the offspring of a common desire to materialize ideas that contain the potential to interfere in a positive and original manner in people’s daily lives. Cabracega’s activity is thus based on multidisciplinary projects with an experimental and inovative connotation that revolve around a range of subjects, from industrial design to social economy.
Hugo Tornelo and Pedro Alegria have degrees in Experience Design (Design Academy Eindhoven) and are the Cabracega’s creati
ve team and Rita Gonzalez, who studied Marketing, supports the implementation and publicising of the studio’s projects.

02. Some of your work is already considered to be of certain importance. One of the most striking of your projects was that of Lisboa Sensorial. I would like to ask you to explain what this concept represents and how it was conceived.

The idea behind Lisboa Sensorial came up after a number of visits to a restaurant by the headquarters of ACAPO, in Lisbon, where a lot of blind people hang around. Several chats occurred while we were trying to understand the daily life of blind people as to how they managed in the city streets and how they went about their everyday chores. This is how the Lisboa Sensorial project was born.
The creation of a sensory experience was one of the core ideas behind the Lisboa Sensorial project, which was jointly put together by Cabracega, Lisbon Walker and ACAPO. We wanted to show people a new wa
y of understanding urban space. The project consists on blind walkabouts in a previously determined circuit in Alfama, where the blindfolded participants are to be directed by a sensory guide, a blind person who share sand analyzes his sensory references, and a historical guide, who brings the historical and social components of the walkabout into context.
At the time, Alfama was the obvious choice for the execution of the project, due to its wealth in sensory terms, and due to it being a place where people greatly appreciate being out on the street, creating thus the
sensation of being in a small town within a large city. During the walkabouts the inhabitants of Alfama eventually came to interact with the participants, which would enhance the whole experience.
With this project, apart from the creation of a sensory experience, we also managed to accomplish other goals: the supply of a differentiated service that would represent a new professional and social opportunity for the blind (that which society perceives to be a handicap became a valuable trait) and the possibility of demystifying the image society has of the blind as fragile and depending people.

We also managed to assure the sustainability of the project, for everyone who takes part in it is paid accordingly, which makes for the implementation of a social economy model that creates certain possibilities of interaction within a given community.
The project is currently being executed in Lisbon on the last Saturday of every month through Lisbon Walker and it is also to be implemented in Torres Vedras and, internationally speaking, in Singapore.



03. Lisboa Sensorial is now implemented and it actively contributes to the dinamization of a part of this city, and of the blind community which grasps the opportunity of very real valorization – they are the participants’ guides. Cities can be unkind to people with limitations. How do you believe these and other strategies may help those who project cities in order to solve such an issue?

Though it is not a primary objective, it i
s unquestionable that the various obstacles the blind may come across in Lisbon are highlighted and taken awareness of. This awareness may reveal itself as an effective way to give us a completely alternative perspective of a given space, through the intensity that is inherent to the experience of having no vision while walking around streets for a period of one and a half hours.
Some of the participants later told us that they would involuntarily and momentarily reminisce the experience in places such as supermarkets or at home and would ask themselves: “If I were blind, how would it feel to be here?”. As creators, we believe that the awareness of the existence of “different worlds” will have an influence on future projects.

It is common, as creators, for us to be “blinded” by the project we defined and, involuntarily, ignore some premisses along the way, but, in truth, any project on the human scale will only see itself fulfilled with the presence of people. The Lisboa Sensorial project only envisions to promote the discussion and reflection about space with the absence of vision but there is a number of premisses that should be taken into account.

04. Moving on to a more theoretical question, I would like to ask you how you understand Design. What are the issues that if faces nowadays?

This is a very broad question which most certainly won’t have a single answer. Still, we can say that we believe that Design defines itslef by a number of different interdisciplinary subjects and connections, and that we always seek to focus on the core issue of each project, without previously defining upon which platform the result will be presented; it may be an object, a service, a space, a poster, a documentary, ou maybe even all of them at once. The solution should not be defined by the platform, but the platform is chosen in accordance with the best solution.
Of course, there are projects that have predefined platforms and, in such cases, we abide by them, but the eventual exceeding of expectations with a more complete response is not taken out of the equation.
We can see that Design seeks less and less to define itself as “Product, Interior, Fashion or Graphic Design”, to become something that presents itself in a broader manner, such as “Man and Living” or “Man and Leisure” (as we can see in the Design Academy Eindhoven, where the Cabracega creative team has studied). In this specific case, the approach to Design rests upon the relationship Man has with the “world” in its various contexts.

05. I’d like to talk about your SEED project – “Memórias de S. Tomé e Príncipe”, even if briefly, in which artesans of São Tomé e Príncipe were invited to work in collaboration with the electronic hardware industry in order to create objects with a certain artistic value. What did it mean to you to ask these people to help in the creation of objects that many of them had never even heard of?

It was a bit of a calculated shock. The creation of this object had the purpose of introducing this country’s craftsmanship in an international context, bringing together two very distinct worlds. This mixture of craftsmanship and technology had a number of unexpected outcomes. Not only was an object created but also a service which allowed for the artesans to make minimum wage in only a day and a half’s work, which was one of their key motivators.
During the project’s development, one of the artesans who made these objects had basic classes on how to use a computer and access the Internet, which resulted in another calculated shock...

06. One of this project’s goalds was to show large companies new ways of promoting human development. I believe we all too often know what to do but not how to do it. Still, when I went to S. Tomé, I had the opportunity to see the project’s activity. Hotels show these products to turists with a charming pride. How is it that one implements such a project and how is its perpetuation to be assured?

With displays of interest, namely financial ones. With this project we based ourselves on the concept of Social Economy, which we believe to be an important step in its success and proliferation, instead of simply focusing on social responsability. We believe that social economy already implies social responsibility and we consider the concepts to be often mixed up.
We should understand that the worst kind of help is to give and, unfortunately, inumerous entities do this, weakening and addicting their beneficiaries. It is actually not much more then a question of convenience for both parts, as it serves its purposes in the short term: on the one hand there are numerous entities that relish on creating dependency, justifying they’re mission and continuous presence; on the oher hand, there are the communities that take benefit from these taken for granted “alms”. Before helping someone we must ask if they want to be helped and what kind of help they need, then and only then should we seek to help with real incentive and shared responsibility. With this in mind, and in the same way as it proves itself to be extremely lucrative to the artisans, the entities involved in the management of all these processes also benefit from considerable profit, which grants them the opportunity to finance other activities. This is how the continuous envolvement of these social solidarity entities and their easy expansion to other countries is explained.

07. Clare Brass, of the SEED Foundation – Social Environmental Enterprise + Design defends that sustainability in Design should not be applied to the object itself, but to the comlpex network of infrastructures that surrounds it. What exactly does she mean?

If we consider our SEED project – pure coincidence – as an example, we can justify it with the answer to the previous question: the pen drives sculpted in wood, more than an object, are a service that benefits all of the involved and it doesn’t seem to represent any kind of ecological, environmental, economical, or social problems, both locally and globally speaking. Of course, there still is the matter of the composition of the chips or the conditions under which people work in at the factory... but it will always be rather an utopian ideal to seek to change the world in a single day or with only one project.

08. If we look at Design as an integrated approach, centered on people and in the solving of their problems, an inevitable question comes up. How can Design help in turning the tide in the present day crisis?

With the present crisis, new needs will certainly be born, along with new opportunities.
Those opportunities have a lot to do with the need to gradually reinvent everything, which is something we usually think describes Design. Design is no longer the design of a chair, but the ritual of sitting down.
Furthermore, and looking at the big picture, new tendencies studies point to an “experience consumerism” and also to a sort of “experience design”, as potential markets for the future, which represents a good opportunity for Cabracega.

09. What advice would you give to young Design or Marketing students who are on the verge of the transition from academic life to professional life?

If you have any advice to give, we’d also like to hear it...

10. Where do you see yourselves in 10 years?

We know that tomorrow we’ll be in Lisbon, but we don’t even know when and where we’re going on vacation this year...

Translated by Manuel Costa Campos
Anything to say?


Take a look


http://www.cabracega.org/


Leia o post Completo...

19 de outubro de 2008

Entre][vista_MOOV, estúdio de arte e projecto

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01. O que define a Arquitectura? O que a distingue e o que a aproxima de outros actos de criação?

O que define arquitectura? Curioso, porque aproveitando a Trienal e a afluência de grandes vultos da arquitectura mundial para três dias de conversa, decidimos pegar na câmara de filmar e fazer três perguntas básicas à queima-roupa a alguns dos intervenientes, uma das quais era: O que é isso da Arquitectura? Depois fizémos as mesmas três perguntas a pessoas tangentes à disciplina como engenheiros, encarregados de obra, agentes imobiliários… e a outras completamente fora da órbita da profissão como taxistas ou empregados de café. Com o material produzimos uma vídeo instalação - Sonda3. Uma das coisas mais interessantes de constatar neste trabalho foi como o núcleo arquitectónico e derivados se refugiava em conceitos abstractos e muito nebulosos para definir a disciplina, e os entrevistados situados nas órbitas mais exteriores tinham uma resposta taxativa e directa: é edifícios! Diriamos, driblando um pouco a pergunta, que o que define a arquitectura deve andar algures entre os conceitos elaborados mas vagos de significado dos académicos e os edifícios da vox populi.

O que a distingue de outros actos da criação, e cingindo-nos a uma prática mais convencional, diríamos que é a importância do cliente no resultado final, bem como a necessidade de articular interesses vários na sua concepção e execução. A maioria das outras disciplinas artísticas estão mais libertas destes constrangimentos. Por outras palavras, a arquitectura apresenta-se como um processo constante de coordenação e negociação, outras disciplinas como a música, pintura e o vídeo podem adoptar uma postura mais egocentrista e autónoma.

O que a aproxima dos outros de criação é a cap
acidade de condensar e interpretar a realidade produzindo algo novo a partir desse processo.


Sonda 3 . moov 2007

02. Fazendo minhas as palavras de Peter Zumthor, "can architecture improve life"?

Obviamente. A arquitectura pode e deve am
bicionar ser um contributo para a melhoria da vida. No entanto, a sua capacidade de a influenciar, ao contrário do que nós arquitectos gostamos de apregoar, é relativamente limitada, sobretudo se compararmos com factores sociais, económicos e políticos. Um caso paradigmático destas limitações, e procurando utilizar uma referência actual, pode ser constado na obra do arquitecto italiano Franz Di Salvo, autor do agora famoso Vele di Scampia, o complexo edificado que serve de cenário ao excelente filme Gomorra. Na complexidade da organização do espaço em múltiplos passadiços, corredores, escadas e arcadas que ligam os diferentes apartamentos podemos ser tentados a ler espaços de potenciação da marginalidade do bairro. Conclusão lógica até pela forma hábil de filmar do realizador, que acompanha os personagens nas suas deambulações pelo edifício. No entanto, o que menos pessoas saberão, é que o mesmo arquitecto tem um projecto idêntico nos arredores de Cannes que se encontra impecavelmente conservado e a funcionar, sendo até objecto de rasgados elogios dos seus moradores. Parece evidente que o contexto económico e social acabou por ditar destinos diferentes para projectos idênticos.


Scampia . foto Maria di Pietro

03. Quais os problemas reais que o espaço público enfrenta na cidade contemporânea, e em que é que eles se diferenciam dos que, historicamente, sempre enfrentou?

O espaço público é um território de conflito, característica intemporal que é a sua maior fraqueza e, ao mesmo tempo, força.
Fraqueza porque nunca totalmente controlado é visto como o lugar onde o mal pode eclodir. Força, porque é do cruzamento e harmonização dos interesses, pessoas, fluxos e tendências no lugar público que se forja a diversidade da paisagem económica e social da cidade, factores essenciais à sua competitividade e capacidade de atrair habitantes.

Tendo isto em conta, cremos que a progressiva tentativa de domesticação das forças que actuam no espaço público, procurando-o tornar mais controlado, prevísivel, higiénico… é, actualmente, o maior problema. Esta domesticação é uma consequência directa de uma sociedade securitária que parece lidar mal com o imprevisto e com o outro. Apregoa a inclusão mas promove de forma subliminar a exclusão no lugar público através de mecanismos de vigilância, regulamentos desajustados, repressão…

Esta domesticação falha porque há hoje uma multi
plicidade de grupos e tribos urbanas com usos do espaço público, que à partida, são incompativeis e para as quais a ideia de uso urbano enquanto actividade marginal é essencial. Muitos espaços esvaziados desta autenticidade ameaçadora, acabam por perder o seu elan e vida tornando-se apenas cascos comerciais. O desenho poderá tentar essa dificil tarefa de ambivalencia.


DEMO_polis . moov2006 . foto Mario Baú


04. O que determina a vivência e a morte de um espaço?

Correndo o risco de sermos repetitivos e por muito que isso nos custe admitir, a qualidade do desenho, os materiais empregues, acabamentos, ou seja, tudo aquilo a que se associa directamente o trabalho do arquitecto, não é essencial para a vivência ou morte de um espaço. Pelo contrário, as circunstâncias económicas, sociais e políticas são factores determinantes para o destino dos lugares. Um espaço, por mais belo que seja, está condenado quando deixa de ser um contributo efectivo para a dinâmica da sociedade.

Hotel Estoril Sol 1965 - 2007. Arquitecto Raul Tojal

05. Até que ponto é importante, para um Arquitecto, entender a Paisagem enquanto uma realidade em contínua transformação?

Mais que o caso específico da Paisagem e a sua contínua transformação, é importante para o Arquitecto ter consciência do Tempo.
As necessidades e aspirações de hoje podem ser obsoletas amanhã. O trabalho do arquitecto deve procurar ter uma certa latitude que possa incorporar as dilatações ou contracções do futuro tendo a consciência que não está propriamente a redefinir o centro do universo.

Seta Amarela . moov 2004

06. Socialmente Portugal tem um estrato social fervorosamente adepto do conceito de condomínio privado. É este processo de guetização uma defesa contra aquilo que consideramos estranho?

Na sequência do que foi dito sobre o espaço público como território de conflito, o condomínio privado é uma tentativa de anular essa circunstância através da promoção de ambientes fechados, prevísiveis e habitados por uma população homogénea que procura serenar os seus receios na dormência de um lugar controlado.


07. Temos, só na cidade de Lisboa, quase 4.700 prédios devolutos. Como podemos curar-nos deste cancro?

Este é, sobretudo, um problema do mercado imobiliário que cultiva a inércia do presente com o objectivo de lucros futuros. Para o resolver/contrariar tem que haver: primeiro vontade política em criar mecanismos que penalizem fortemente o abandono das casas; em segundo, a promoção de soluções temporárias que possam aproveitar a janela de oportunidade criadas por espaço vazios - neste ponto, a pro-actividade da sociedade civil, escorada no apoio de quem decide, em propor e ocupar parece-nos vital.


Projecto +1 . Baixa de Lisboa . moov 2005

08. Somos o segundo país europeu (a seguir à Grécia) com o maior índice per capita de arquitectos. O que diriam aos recém-licenciados?

Que façam o seu melhor e procurem pensar para lá do que vem nas revistas.
Que há mais na prática de arquitectura que projecto e construção.
Que trabalho há sempre, o dinheiro é
que varia.
Evitem trabalhar com idiotas, para idiotas e como idiotas.
Boa sorte.


09. Onde se vêem daqui a 10 anos?

... um ano de cada vez.


Casa Nomad . moov 2006



Alguma coisa a dizer?


Dê uma espreitadela



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01. What defines architecture? What distinguishes it and what brings it closer to other acts of creation?

What defines architecture? That’s an interesting question; given that at the Triennale (of Architecture, Lisbon) we decided to grab hold of a camera and ask three simple questions to some of the invitees, one of which was: What is Architecture? Then we asked the same three questions to people who work tangentially with the subject, such as engineers, real estate agents… as well as to other people who had nothing to do with architecture at all. With this material we produced a video installation - Sonda3. One of the most interesting things we came across in this situation was the way how those more directly related to Architecture came up with dubious and elaborately abstract answers, whereas those who had no connection to it gave very direct questions: it’s buildings! We’d say that what defines architecture is somewhere in between the elaborate yet vague academic concepts and the vox populi’s buildings.

We would say that what distinguishes it from other acts of creation is the importance that the role of the client assumes in the final result, as well as the need to articulate a number of different interests in its conception and execution. The majority of other artistic subjects are less attached to this kind of restraints. In other words, architecture presents itself as a constant process of coordination and negotiation, other subjects such as music, painting and video have the ability to adopt a more independent and egoistic position.

What brings it closer to the other acts of creation is the ability to condense and interpret reality by producing something new, extracted from that process.


02. As Peter Zumthor would say, "can architecture improve life"?

Obviously. Architecture can and should ambition to be an improvement of life. Still, its ability to influence it, despite what we architects tend to state, is relatively limited, especially if we compare it with social, economical and political factors. A practical and quite current case of these limitations is that of Italian architect Franz Di Salvo’s work, the author of the now famous Vele di Scampia, the building complex used as a set for the great film Gomorra. Amidst the complexity of the organization of this space in multiple passage ways, corridors, stairs and archades that connect the various apartments we might feel tempted to read spaces reminiscent to the marginality of the neighbourhood. A logical conclusion taken from the ingenious way the director shot the film, accompanying the characters in the journeys through out the building. Still, what fewer people are aware of is that this same architect has an identical project in the outskirts of Cannes that is in perfect maintenance and working shape, which is subject to high praise coming from its inhibitors. It would seem that the economical and social contexts eventually drew different fates for identical projects.

03. What are the real problems that public space faces in the contemporary city, and how different are they from those that, historically, the public space has always faced?

Public space is a war zone, this is an eternal trait that is its greatest weakness and, at the same time, it’s greatest strength.

It is a weakness because it is a place where all malice may meet, due to its uncontrollable nature. It is strength because it is from the mixture and harmonization of interests, people, fluxes and tendencies in the public space that the diversity of the city’s economical and social landscapes, essential to its ability to lure inhabitants, are forged.

While having this in mind, we believe that the progressive attempt to domesticate the forces that act upon the public space, seeking to turn it more controlled, predictable, hygienic… is, in our days, the greatest problem. This domestication is a direct consequence of a society that seems to cope badly with the unpredictable and to that which is foreign to it. It encourages inclusion but it also subliminarily promotes exclusion in the public space through surveillance mechanisms, unadjusted regulations, repression...

This domestication fails because nowadays there is a vast range of groups and urban tribes that make use of the public space in ways that are, at first, seen as incompatible and for which the ideia of urban use as a marginal activity is essential. Many of the spaces deprived from this threatening authenticity eventually lose their livelihood and turn into simple commercial shells.

The design may attempt that difficult task of ambivalence.

04. What determines the life and death of a space?

While taking the risk of being repetitive and as much as that may be hard for us to admit, the quality of the design, the materials used, the rendering... everything that is directly related to the work of the architect is not essential to the life or death of a space. On the other hand, economical, social and political circumstances determine the fate of spaces. A space, as beautiful as it may be, finds itself condemned when it ceases to be an actual contributor to the dynamics of society.

05. To what extent is it important, to an Architect, to understand the Landscape as a continuously transforming reality?

More important than the specific case of Landscape and its constant transformation, it is important for the Architect to be Time conscious. The needs and aspirations of today may turn obsolete tomorrow. The work of the architect should seek to have a certain latitude that can withstand the dilatations or contractions of the future, while bearing in mind that he is not redefining the centre of the universe.

06. Socially speaking, Portugal has a social class that is a major fan of joint estates. Is this process of creating guettos a defense against that which we see as strange?

After what was said about public space being a war zone, joint estates are seen as an attempt to erase that circumstance through the creation of closed and predictable environments, inhabited by homogeneous population that seeks to drown its fears in the dormancy of a controlled space.

07. In the city of Lisbon alone, there are nearly 4700 derelict buildings. How can we cure this cancer?

This is, above all, a problem of the real estate market that invests on the present inertia with to objective of making future profits. To resolve/fight this matter there has to be: firstly, political will to create mechanisms that severely punish the abandoning of houses; secondly, the implementation of temporary solutions that can take advantage of the windows of opportunity created by empty spaces – the pro-activity of the civil society in what comes to proposing and occupying seems vital.

08. We are the second European country (after Greece) with the greatest percentage of architects. What would you say to newly graduates?

To do their best and think out of the box.
That there is more to the practice of architecture than projects and construction.
That there is always work, it’s the pay that varies.
Avoid working with idiots, for idiots and as idiots.
Good luck.

09. Where do you see yourselves in 10 years?

... a year at a time.


Translated by Manuel Costa Campos

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9 de setembro de 2008

Entre][vista_David Motta, o Escarrador

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Português

01. Começo por uma pergunta um tanto ou quanto filosófica. O que é a Moda?

A Moda sou eu...

02. Sendo arquitecto de formação, não resisto a pedir-te para comentares a citação de Coco Chanel: "Fashion is architecture. It is a matter of proportions".

Quem sou eu para comentar alguma coisa dita por ela.

03. Pode dizer-se que a Arquitectura também tem moda?

A Arquitectura tem modas.

04. Estamos habituados a editores, críticos e produtores de moda excêntricos, como Anna Piaggi, ou implacáveis, como Anna Wintour. Pessoas com bastante conhecimento e, a maior parte das vezes, com bastante substância. Mas deparamo-nos agora com fenómenos verdadeiramente bombásticos como William Sledd ou Bryan Boy. Vindos do nada e determinados a fincar o pé em sítios como por exemplo a Internet. A que atribuis este acontecimento?

Eu não sei se a Anna Piaggi e a Anna Wintour têm bastante substância, já estive com as duas e de facto a primeira é "excêntrica" e a segunda implacável. Acho absolutamente maravilhoso que o mundo, na aldeia global em que se transformou, dê à luz "fenómenos" como o William Sledd ou o BryanBoy, ainda que tenham a importância que têm...

05. A moda é indissociável das marcas que a desenvolvem. As marcas são qualquer coisa de desejável, encarnando simultaneamente o conceito de fetiche, de fruto proibido e de símbolo de poder. Mas hoje, mais do que nunca, as marcas deixaram de servir unicamente a Realeza, ou as Divas, para passar a vestir cantores Pop, Rappers, ou Futebolistas. É esta a democratização da Moda?

A moda antes de mais nada é uma indústria milionária, vende sonhos e ilusões, se estamos na era dos futebolistas e dos artistas pop, let´s go for it.

06. Qualquer marca sólida tem por trás investidores sólidos. É caso para dizer que o dinheiro dita as regras da própria moda?

Money talks, bullshit walks...

07. Entrando um pouco na tua esfera pessoal, posso afirmar que és excêntrico, na medida em que te vestes de forma diferente de um rapaz da mesma idade que tu (nós). O gostar de chocar é uma condição da moda?

Não, de todo. Não me considero excêntrico, sou "fantasioso", que é muito mais uma característica da moda, ainda que não seja condição.

08. Uma pessoa é aquilo que veste?

A maneira como nos vestimos é a extensão da nossa personalidade, assim entendo que uma pessoa não é aquilo que veste, mas mostra aquilo que é naquilo que veste.

09. Há 30 anos Ana Salazar desbravou o caminho da afirmação da moda portuguesa no estrangeiro. Como caracterizas a moda em Portugal? Estamos hoje como estávamos há 30 anos?

É uma indústria sem grande expressão, somos bons a fabricar para os outros, infelizmente. A moda está na moda, mas a ela está inerente uma "cultura de moda" que em Portugal não existe, não há dinheiro, não há referências internacionais, as pessoas, ainda, estão demasiadamente preocupadas com as vidas dos outros.

10. O que é para ti the peak of chic?

A liberdade.

11. Um estilista internacional? E um português?

Karl Lagerfeld. Não acompanho o trabalho dos portugueses, mas talvez a Ana Salazar, pelo pioneirismo.

12. Onde te imaginas daqui a 10 anos?

Deixei de programar a minha vida com tanta antecedência...

Qual é a sua opinião?

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English


01. I’ll start by asking a somewhat philosophical question. What is fashion?

I’m fashion...

02. As an architect, I can’t help asking you to comment on the following quote, by Coco Chanel: "Fashion is architecture. It is a matter of proportions".

Who am I to comment on anything she’s said?

03. Can we say that Architecture also withholds fashion?

I would say Architecture has trends.

04. We’re used to eccentric fashion editors, critics and designers, such as Anna Piaggi, and ruthless ones too, such as Anna Wintour. These are knowledgeable people who are also, in most cases, of quite a lot of substance. But now we see ourselves with absolutely bombastic phenomena such as William Sledd or Bryan Boy. They arose from nothingness and are determined to mark their territory in places like the Internet. What do you believe to be the foundation of this sort of situation?

I’m not quite sure about either Anna Piaggi or Anna Wintour being people of substance, though I’ve been with both and the first is in fact “eccentric” and the second is undoubtedly ruthless. I think it’s absolutely wonderful that the world, as the global village that it has definitely transformed into, gives birth to “phenomena” such as William Sledd or BryanBoy, in spite of their importance…

05. Fashion is impossible to detach from the brands that develop it. Brands are quite desirable, bearing simultaneously the concepts of fetish, forbidden fruit and power. But today, more than ever, brands have ceased to exclusively serve Royalty or Divas, to begin dressing Pop Singers, Rappers and Soccer Players. Can this be seen as the democratization of Fashion?

Fashion is, above all, a millionaire industry, it sells dreams and illusions, if we’re in the age of soccer players and pop artists, let’s go for it.

06. Any well positioned brand has solid investors behind it. Can we say that money makes the rules of fashion?

Money talks, bullshit walks...

07. Allowing myself to be somewhat intrusive, I suppose it’s safe to say that you’re quite a bit of an eccentric person, if the fact that you dress yourself differently from what a guy your (our) age would is taken into account. Is getting a kick out of shocking people a condition of fashion?

No, not at all. I don’t see myself as an eccentric; I’m a “fantasizer”, which by the way is much more of a trait of fashion, though it is not a condition.

08. Are people what the wear?

The way we dress is the extension of our personalities, thus I believe that a person isn't what he or she wears, but they show what they are in what they wear.

09. Thirty years ago Ana Salazar made way for the affirmation of Portuguese fashion abroad. How would you portray fashion in Portugal? Are we in the exact same spot we were 30 years ago?

It isn’t a very significant industry; we’re good at manufacturing for others, unfortunately. Fashion is in fashion, but to it is inherent a “fashion culture” that in Portugal does not exist; there is no money, there are no international references and people are still too worried with the lives of others.

10. What do you consider to be the peak of chic?

Freedom.

11. An international designer? And a Portuguese one?

Karl Lagerfeld. I don’t watch Portuguese designers closely at all, but maybe Ana Salazar for her trailblazing.

12. Where do you see yourself in ten years?

I don’t think that far ahead anymore...

translated by Manuel Costa Campos

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