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9 de julho de 2007

Girassóis aos molhos

Não se trata de malmequeres, bem sei, mas sim de girassóis. Espero, no entanto, que os primeiros não se sintam injustiçados pelo exercício que resolvi fazer.

Bem-me-quer – a decisão de criar em Oeiras, há mais de cinco de anos, um parque urbano com 10 hectares, o Parque dos Poetas.

Mal-me-quer – a decisão de o tornar num símbolo pimba do novo-riquismo.

Muito – a decisão de semear um campo de girassóis de carácter urbano, no terreno que aguarda a implantação da segunda fase do parque.

Pouco – que a este campo não se siga, por exemplo, um de cereais, um de alfazema, um de alecrim ou qualquer outra espécie.

Nada – o receio (quase certeza) de que esta segunda fase se torne igual à primeira. Um catálogo tridimensional de materiais de construção de jardim.


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16 de maio de 2007

Paraíso invisível




Existe um paraíso sem se dar por ele. Um daqueles paraísos que a maior parte desconhece. Cerca de 130 hectares praticamente invisíveis.

A Estação Agronómica Nacional (EAN), localizada no extremo poente do concelho de Oeiras, é actualmente tutelada pelo Ministério de Agricultura (MA), funcionando como Unidade Operativa de alguns institutos que lhe são subordinados. Até aqui, tudo bem. Uma propriedade deste tamanho vocacionada para a investigação na área agrícola e agronómica é um bom princípio.

Mas que essa propriedade, imensa e imensamente valiosa, não seja aproveitada (aproveitada? nem sequer é conhecida!) pelos munícipes, é um facto lastimável. Um património com este valor deveria servir sobretudo como infra-estrutura verde. Para ser utilizado pelas pessoas, para ser vivido pelas pessoas, para….ter pessoas…e não ser aquilo que é hoje – um paraíso invisível e por isso congelado.

Longe da vista, longe do coração. Os oeirenses não sabem o que têm dentro dos limites do concelho em que vivem. E não conhecendo o valor, não se aperceberão por certo das ameaças que poderão vir a existir.

Não pretendo incorrer em alarmismos desnecessários. Neste momento o MA assegura o funcionamento básico da estação. Mas esta paisagem, valiosa ecológica e culturalmente, poderia facilmente tornar-se visível. Bastaria abrir as portas. Bastaria assegurar as funcionalidades e infra-estruturas mínimas para fazer deste paraíso perdido num manifesto vivo do que o concelho de Oeiras tem de realmente valioso para oferecer.

Porquê imagens poéticas bacocas à entrada do concelho quando podíamos oferecer uma incursão no fabuloso mundo da ruralidade em meio urbano? Estamos com medo de mostrar Oeiras ligada a um dos últimos redutos agrícolas? Envergonho-me mais com o cortejo do Rei que vai nu.

Abaixo o Parque dos Poetas…viva a Paisagem Agrícola da Estação Agronómica.

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