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2 de julho de 2007

Artes ao cubo

No sábado passado, dia 30, foi publicado o segundo número da revista CUBO, distribuída (tal como o primeiro) no semanário SOL.

A revista pretende constituir-se como um novo ponto de referência na área da arquitectura, do urbanismo e da arte. Fala de arquitectos e artistas com obras consolidadas, apresenta novas tendências e crítica posições e políticas, numa esforçada imparcialidade.

Após uma leitura atenta do primeiro número, fiquei com a sensação de que esta seria uma revista séria de exposição de temas importantes, mas resolvi esperar pelo segundo para confirmar essa intuição. O segundo número também não desiludiu, pelo contrário, com a apresentação de projectos bastante arrojados em vários domínios.

Saúdo a iniciativa e espero que a garra na inovação e na crítica sustentada continuem!

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25 de junho de 2007

A bandeira do verde

No ano passado Al Gore participou em “Uma verdade incoveniente”, um documentário em jeito de filme hollywoodesco. Antecipou-se a outros tantos políticos com preocupações ambientais e agarrou o filão. Bush, líder do país mais poluente do mundo, tornou-se no vilão da história e perdeu.

Hoje em dia, o político ecologista ganha mais de um milhão de dólares por cada apresentação que faz à volta do mundo.

Há pouco mais de um mês, os mayors e governadores de 500 cidades norte-americanas insurgiram-se contra o laconismo nacional relativamente ao protocolo de Quioto e comprometeram-se a cumpri-lo ainda que localmente. Propõe-se as mesmas a reduzir, até 2012, 10% das emissões de gases relativamente aos valores de 1990. Bush seguiu atrás e ficou a perder.

Mais recentemente, aquando da cimeira dos G8 na Alemanha, Merkel desafiou as oito potências mais influentes do mundo (e também algumas das mais poluentes) a reduzir 50% das suas emissões de dióxido de carbono até 2050. Bush, a medo, lá reconheceu o facto consumado de que estamos a passar por um período de grandes alterações climáticas.

No Reino Unido, o conservador David Cameron ganhou as eleições internas do seu partido com o slogan “vote blue, go green”. Tony Blair seguiu atrás e ficou a perder.

Mas quem são afinal os bons da fita? A verdade é que no domínio da política, infelizmente, tudo vale. Distinguir entre aquilo que é uma verdadeira defesa de valores daquilo que é apenas oportunismo político é muito difícil.

Por cá os políticos de todos os quadrantes também vão percebendo que o verde pode ser um filão. Tanto a nível nacional como a nível local.

Encontramo-nos num período quente na cidade de Lisboa. Mais de uma dezena de candidatos disparam em todas as direcções numa tentativa de agarrar votos. E ultimamente têm sobressaído aqueles que vestiram a camisola das melhorias ambientais. E neste caso não interessa tanto o background político. Costa vestiu-a, Negrão vestiu-a, Roseta e Sá Fernandes vestiram-na…

O verde como imagem vende. E como campanha angaria votos. O que podemos e devemos fazer é, optando por votar nos políticos que fazem do ambiente a sua bandeira, tentar de entre os vários que o fazem, perceber aqueles que nos parecem mais credíveis.

O tempo nos dirá se tomámos a direcção correcta.

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6 de junho de 2007

Quando David enfrentou Golias

Nasceu há 100 anos a pessoa a quem devemos o nascimento da actual consciência ecológica e ambiental – Rachel Carson. E nasceu há 45 o livro que despertaria o mundo para a necessidade dessa consciência – ‘Primavera Silenciosa’.

Em 1962, depois de inúmeras publicações científicas na área da zoologia e de uma passagem no Departamento das Pescas e Natureza do governo norte-americano, como editora-chefe de todas as publicações, Carson publicou um estudo sobre os movimentos migratórios de populações de aves. No estudo, a cientista relacionava a redução do número de aves com o aumento da utilização de pesticidas. Entre estes encontrava-se o DDT, desenvolvido logo após a Segunda Guerra Mundial, como forma de combater o insecto da malária.

Uma das ideias mais importantes e inovadoras defendidas no livro era a noção de mundo natural como um todo. Tudo o que sucedia a um dado elemento de uma cadeia, repercutia-se a todos os outros elementos dessa mesma cadeia, acima ou abaixo. Nenhuma alteração era inconsequente.

Ainda não havia passado um ano, quando Carson foi chamada ao Congresso dos EUA para defender a sua tese e avançar com medidas de protecção ambiental. Tais medidas culminaram na proibição do uso do DDT em solo americano, medida levada a cabo pelo próprio presidente Kennedy. Os EUA tornavam-se assim o primeiro país com um conjunto estratégico coeso de medidas ambientais (curioso como as coisas se voltaram do avesso…)

Carson tornou-se rapidamente num fenómeno. Sobretudo porque por trás desse fenómeno estava uma ideia forte – um raciocínio inovador - a coragem para o expor, e a tenacidade para o defender.

Com efeito, a luta que a indústria química abriu contra Carson atingiu tais proporções que, quando devidamente contextualizada, tem sido várias vezes comparada à de Galileu, com a Teoria Heliocêntrica, ou à de Darwin, com a Teoria da Origem das Espécies.

A polémica descontrolou-se ao ponto da grande máquina da indústria fazer desacreditar a cientista, ao dizer que esta luta não era mais que uma reacção amargurada do seu já avançado cancro na mama.

Assinalou-se ontem uma data importante - o Dia Mundial do Ambiente. E não o podemos celebrar conscientemente sem prestarmos o devido tributo à luta de uma vida. A Rachel Carson. Polémicas à parte, a ela devemos a definição dos principios que estão na base da Ecologia moderna.

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30 de maio de 2007

Heróis de todos os dias

Vivemos numa época em que cada vez damos mais valor a heróis estrelares fulminantes – futebolistas, actores, modelos,… Ser conhecido nunca foi tão fácil nem tão rápido. Deixar de o ser também. Por causa da globalização, da Internet e da consequente massificação de estilos de vida.

Esta tendência tem permitido a concentração de dados relativos ao funcionamento social, económico, político e ecológico do planeta, a uma escala nunca antes vista. Apercebemo-nos finalmente de que o mundo é um organismo coeso complexo e frágil.

Neste contexto surgiu um programa ao qual penso que devemos todos prestar a devida atenção. O ‘Worldchanging Program’. Não por ser inovador na temática que trata, já que muitos são aqueles que se servem da sustentabilidade para propósitos menos nobres, mas por ser o primeiro que, além de detectar os principais problemas actuais do mundo, avança com um conjunto sólido e credível de soluções.

Al Gore dá o mote e a visibilidade. Técnicos especializados e leigos interessados nas temáticas, detectam os problemas e propõem as soluções. Soluções úteis e realistas. Junta-se a isto uma imagem agradável, et voilà, eis o extremamente bem sucedido ‘Worldchanging Program’.

Começou como um site (www.worldchanging.com) e a partir daí foi feita uma compilação, em formato de livro, de pequenas “receitas” organizadas em capítulos, onde são apresentadas ideias inovadoras. Umas testadas, outras à espera de concretização.

Demarcando-se do tom alarmista, e até um pouco catastrófico, a que as organizações ambientais nos habituaram, o Worldchanging acusa problemas reais de forma construtiva. O mundo é visto com positivismo e profundidade.

Deste projecto podemos tirar duas valiosas lições

  • A mudança a nível planetário depende da nossa força enquanto indivíduos enquanto comunidade.
  • Essa mudança nunca será feita de forma fulminante e de uma só vez, mas sim por todos nós, todos os dias, um pouco de cada vez.

Somos todos nós, os anónimos heróis de todos os dias, quem será capaz de alterar progressivamente o mundo. Acredito que sempre para melhor.

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